IPBeja DÁTEARTE
Mais do que assistir à cultura. Vivê-la.
Sempre acreditei que formar profissionais competentes não é suficiente. O ensino superior tem também a responsabilidade de formar cidadãos mais sensíveis, mais críticos, mais criativos e mais conscientes do mundo que os rodeia. Foi dessa convicção que nasceu o IPBeja DÁTEARTE.
Desenvolvi esta iniciativa durante o período em que exerci funções de Pró-Presidente para o Planeamento, Marketing e Comunicação do Instituto Politécnico de Beja (2017–2021), integrando-a na estratégia institucional de valorização da cultura, da comunicação e da aproximação à comunidade. O IPBeja DÁTEARTE procurou afirmar a cultura como um elemento essencial da experiência académica e da responsabilidade social da instituição.
Mais do que um programa de espectáculos, o projecto constituiu um espaço de encontro entre a comunidade académica, os artistas e a sociedade, promovendo o acesso à criação artística contemporânea e contribuindo para a formação de públicos.
Ao longo das suas edições, o IPBeja DÁTEARTE trouxe ao campus músicos, actores, escritores, humoristas, bailarinos e criadores de diferentes áreas artísticas, privilegiando propostas de reconhecida qualidade estética e relevância cultural. A programação procurou sempre desafiar, emocionar e estimular o pensamento crítico, proporcionando experiências culturais capazes de enriquecer o percurso pessoal e académico dos participantes.
Mais do que apresentar espectáculos, o projecto procurou criar oportunidades de contacto directo com os artistas, promovendo uma relação de proximidade entre quem cria e quem participa. Essa dimensão de diálogo transformou cada iniciativa num momento de aprendizagem, onde a arte deixou de ser apenas objecto de contemplação para se tornar experiência, reflexão e inspiração.
Desde o início, o IPBeja DÁTEARTE foi pensado como um projecto aberto à comunidade. Embora tenha o Instituto Politécnico de Beja como ponto de partida, nunca se destinou exclusivamente aos seus estudantes. Pelo contrário, procurou afirmar o campus como um espaço cultural acessível a todos, aproximando a academia da cidade e reforçando o papel do ensino superior como agente activo de desenvolvimento cultural.
Olhando hoje para este percurso, considero que o IPBeja DÁTEARTE ajudou a consolidar uma ideia que continuo a defender: a cultura não é um complemento da educação. É uma das suas expressões mais completas. Porque é através da arte que aprendemos a olhar o mundo com maior profundidade, a compreender a diversidade humana e a desenvolver a imaginação, a empatia e o pensamento crítico.
Esta iniciativa reflectiu uma visão de ensino superior onde ciência, cultura e cidadania caminham lado a lado. Uma instituição de ensino não deve ser apenas um lugar onde se transmitem conhecimentos; deve ser também um espaço onde se despertam sensibilidades, se promovem experiências transformadoras e se criam oportunidades para o encontro entre diferentes formas de conhecimento.
Continuo a acreditar que a arte tem a capacidade de transformar a forma como pensamos, sentimos e nos relacionamos com os outros. É essa convicção que esteve na origem do IPBeja DÁTEARTE e que continua a inspirar a minha forma de entender o papel da cultura no ensino superior: porque educar é também despertar sensibilidades.
