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Conversas Tertulianas
O prazer de pensar em conjunto

As Conversas Tertulianas nasceram da convicção de que a cultura se constrói também através da palavra, da escuta e do encontro entre pessoas. Num tempo em que o ritmo acelerado da vida tende a reduzir os espaços de diálogo, procurei criar um projecto onde conversar voltasse a ser um exercício de descoberta, reflexão e partilha.

Concebidas por mim no âmbito da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Beja, as Conversas Tertulianas afirmaram-se como uma iniciativa cultural de âmbito local e regional, aberta à comunidade e orientada para a promoção do pensamento crítico, da cidadania e da valorização da cultura enquanto bem comum.

Mais do que um ciclo de conferências, este projecto procurou recuperar o espírito das antigas tertúlias: encontros informais onde diferentes perspectivas se cruzam, onde as ideias circulam livremente e onde cada participante é simultaneamente ouvinte e interlocutor.

Ao longo das suas diversas edições, passaram pelas Conversas Tertulianas personalidades das mais variadas áreas - literatura, música, política, jornalismo, ciência, artes e intervenção cívica - que aceitaram o desafio de partilhar os seus percursos profissionais e também as suas inquietações, experiências e formas de olhar o mundo.

Sempre procurei que cada sessão decorresse num ambiente de proximidade, onde o rigor intelectual coexistisse com a informalidade da conversa. Mais do que ouvir especialistas, interessava criar oportunidades para dialogar com pessoas, aproximando diferentes gerações, diferentes experiências de vida e diferentes formas de conhecimento.

Embora promovidas no contexto do ensino superior, as Conversas Tertulianas nunca foram pensadas exclusivamente para a comunidade académica. Pelo contrário, constituíram um espaço de encontro entre o Instituto Politécnico de Beja e a cidade, contribuindo para reforçar o papel da instituição enquanto agente activo da vida cultural e da dinamização da comunidade.

Olhando hoje para este projecto, reconheço que ele antecipou uma ideia que continua a orientar grande parte do meu trabalho: o conhecimento cresce quando é partilhado e a cultura ganha verdadeiro significado quando deixa de ser apenas objecto de consumo para se transformar em experiência vivida, diálogo e construção colectiva.

Continuo a acreditar que conversar é um dos mais poderosos exercícios de cidadania. É na troca de ideias, na escuta atenta e no respeito pela diversidade de perspectivas que se desenvolvem o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de compreender o outro.

As Conversas Tertulianas nasceram precisamente dessa convicção: porque há conversas que terminam quando as palavras acabam, e há outras que continuam muito para além delas, transformando a forma como pensamos o mundo e o lugar que nele ocupamos.

Créditos da fotografia: IPBeja

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